quarta-feira, fevereiro 23, 2005

vais chegar a algum lado
e nunca, mas nunca olhar para trás
o caminho é de ouro e luz mais à frente
é tão fácil, tão fácil andar

Não olhes para mim
nem sei bem se estou cá atrás
porque quando passas não se acende mais
mas ficarei a pensar que te tenho
aí à frente a caminhar

e sabes sempre que em cada metro
em cada ponto pequeno dessa rua imensa
está o meu sangue espalhado
e as lágrimas que derramei
para que o teu caminho brilhe

terça-feira, fevereiro 22, 2005

os nomes da minha vida



Os nomes das ruas que atravesso
são selados em mim, a alcatrão
nomes que vejo, assim como acaso
e sendo eu ditoso, quase despreocupado
transeunte espirituoso, sempre a sonhar
dou por mim a decorá-los sem esforço
os nomes das ruas que procuro
e encontro, ruas com nomes
que me desditam, adoram, ou zombam
são os que me esqueço
não por querer, e nem é mágoa
é que os nomes dessas ruas
são desejo e anseio
admiração e intuito
capricho e enigma
são nomes que dão vontade
mas esquecem-se nas tabuletas
das ruas que atravesso

Vasco Farpa